De acordo com Anuário Estatístico da Previdência Social, o Brasil registrou 74.276 casos de acidentes de trabalho na área de saúde e serviços sociais em 2014 – os dados só foram revelados recentemente. O número representa um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, quando foram 71.050. Com isso, o setor é segundo que mais apresenta ocorrências de acidentes típicos, perdendo apenas para o segmento de comércio e reparação de veículos automotores.

Esse assunto é de suma importância e não pode ser negligenciado, pois, entre esses acidentes, os que envolvem material biológico e/ou perfurocortantes têm alta incidência entre os profissionais de saúde, podendo causar doenças infectocontagiosas. De acordo com Sidnei Lopes Gregos, técnico de Segurança do Trabalho da Santa Casa de Misericórdia de Mauá (SP), apesar de os casos envolvendo sangue ou fluidos corporais humanos potencialmente contaminados corresponderem às exposições mais relatadas, os ferimentos com material perfurocortante em geral são considerados os mais perigosos, por serem potencialmente capazes de transmitir mais de 50 tipos de patógenos diferentes. Os agentes infecciosos mais relatados são os vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e os das Hepatites B (HBV) e C (HCV).

“No entanto, o risco de contrair infecção pós-exposição ocupacional é muito variável e depende de diversos fatores, como condição clínica do paciente fonte, tamanho e gravidade da lesão, presença e volume de sangue envolvido na exposição e condutas adequadas imediatamente pós-exposição”, explica.

Para prevenir essas ocorrências, Katia Regina de Jesus, técnica em Segurança do Trabalho do Hospital Universitário de Jundiaí (SP), diz que os hospitais devem realizar treinamentos e orientações de forma continuada, além de diálogos de segurança e divulgar informações de biossegurança em murais. É preciso incentivar os colaboradores a ter atenção na realização de cada procedimento e seguir medidas, como por exemplo, o uso de EPI, principalmente óculos de proteção e luvas de procedimentos. Conforme preconiza o Ministério da Saúde, todos os profissionais devem higienizar sempre as mãos e serem imunizados. Ela também acrescenta à lista ações de conscientização sobre a proibição do reencape de agulhas e o manuseio e descarte corretos de materiais perfurocortantes.

“É importante que o colaborador reflita e se conscientize quanto à necessidade de mudança de comportamento para que possa realizar os procedimentos e desenvolver as atividades com segurança”, acrescenta Katia.

Gregos, da Santa Casa de Mauá, ressalta que o segmento hospitalar está sempre inovando e renovando materiais utilizados nas rotinas hospitalares, visando sempre o bem-estar e o conforto dos pacientes e profissionais da saúde. “Portanto, é imprescindível que os colaboradores estejam bem informados e treinados para saber lidar com essas inovações, adquirindo mais praticidade e segurança no processo de trabalho”.

Por Carol Gonçalves.

Perfurocortantes – uma preocupação presente!

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