Uma das metas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do PNUD, mais precisamente a 3ª, preconiza “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos”. Com esta meta, a intenção é, entre outros resultados, obter até 2030 a “redução da taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100 mil nascidos vivos” e “atingir a cobertura universal de saúde, incluindo o acesso a medicamentos e vacinas essenciais seguros, eficazes e a preços acessíveis para todos”.

A redução da taxa de mortalidade passa, entre outros aspectos, pelo acesso da população aos produtos de higiene e aos medicamentos.

Como anda o Brasil neste requisito? De acordo com o IBGE, a taxa de mortalidade foi de 1.440 mortes por 100 mil em 2014. Esta taxa vem caindo. Há 10 anos (em 2005), era de 2.218 mortes por 100 mil. Isto representa uma redução de 4,2% a.a. Para baixar o número para 70 mortes por 100 mil em 2030, teríamos que apresentar uma redução na taxa de mortalidade de 20,6% a.a. entre 2015 e 2030. Desafiador, para dizer o mínimo.

Para tanto, muito teria de ser feito em termos de investimentos em saneamento. O item “escassez de água” não deve ser um fator negativo para o Brasil, uma vez que a escassez no consumidor final não se dá necessariamente ao acesso à água potável, mas ao desperdício em todo o sistema de distribuição e consumo. De acordo com a OMS, o recomendado é 110 litros/hab/dia, e o consumo atual do paulistano é de 166,3 litros/hab/dia. Há espaço para melhorias aqui. São problemas de fácil resolução, para os quais bastam um pouco de boa vontade política e bom senso administrativo.

Não se pode deixar de fora a educação como força propulsora para o atingimento desta meta. A taxa de alfabetização da população vem caindo lentamente entre as pessoas de 15 anos ou mais. Hoje, é de 8,5% da população, fator que se reflete na taxa de fecundidade, que decresceu de 2,09, em 2004, para 1,74, em 2014, e na expectativa de vida ao nascer, que aumentou de 71,6 anos, em 2004, para 75,1, em 2014. Todos esses fatores são positivos e ajudam na obtenção da meta.

Porém, um olhar preocupante é o da Corrente de Comércio deste ano (janeiro/outubro) para os Bens de Consumo, nos itens “Produtos de Toucador” e “Produtos Farmacêuticos”. Para ambos os bens de consumo, percebe-se uma redução frente ao mesmo período do ano passado: 1,625 bilhões de US$ FOB em 2014 para 1,391 em 2015 (cerca 14,4%) para os produtos de toucador, e 5,984 bilhões de US$ FOB em 2014 para 5,355 em 2015 (cerca 10,5%) para os produtos farmacêuticos. Em outras palavras, há menos dinheiro circulando nestes meios, e isto pode levar ao desinvestimento no setor produtivo, ao aumento do custo do produto final e, por último, à diminuição do consumo de itens de higiene pessoal e à dificuldade de acesso aos medicamentos.

O ano que vem não será dos melhores, e, dependendo de quando sairmos dessa situação econômica, nós poderemos ter revertido os pontos positivos já obtidos para o cumprimento da meta e potencializar os negativos ainda nem tratados pelo poder público para um 2030 mais feliz.

Desenvolvimento sustentável

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