É assim, como uma fotografia, que podemos definir os dados fresquinhos divulgados pelo IBGE, referentes a abril, sobre a vida do Brasil nos últimos dez anos. Esses dados mostram a cara desse imenso e complexo País, tal como ele é.

O relatório mostra um aumento de 12,5% na população nos últimos dez anos – já passamos dos 190 milhões de habitantes. A tendência que vinha se desenhando a cada estudo anterior vai se confirmando: temos uma população mais feminina do que masculina (51,0%). A previsão da taxa de crescimento populacional é de 1,2% ao ano para os próximos dez anos. Entre as regiões do País, somente o Norte apresenta uma população majoritariamente masculina.

Com o crescimento da população, há a necessidade de uma nova distribuição das pessoas nos municípios, a fim de garantir o bem-estar da população local. O País cresceu 1% no número de cidades no período e agora soma 5.565 municípios. 

No entanto, as características dos municípios não são, nem de perto, iguais entre si, visto que a dinâmica de desenvolvimento social de cada região é muito diferente. A região Sudeste concentra 41,1% da população e apresenta o maior crescimento numérico: 8 milhões de pessoas, sendo o Estado de São Paulo responsável por 21,6% da população do País e por mais da metade da região Sudeste. A cidade de São Paulo, uma singularidade entre todos os municípios, representa 27,3% da população do Estado (11 milhões somente na cidade e 16 milhões na Grande São Paulo). Apesar desse crescimento, o Sudeste vem perdendo representatividade populacional nas últimas três décadas frente a outras regiões, como a Centro-Oeste e a Norte. Levando em conta que três pontos configuram uma tendência, vemos que enquanto a região Sudeste deixou de representar 42,7%, 42,6% e 42,1% (1990, 2000 e 2010, respectivamente), o Nordeste passou a representar 6,4%, 6,8% e 7,4%, e o Centro-Oeste, 7,0%, 7,6% e 8,3%.

Outra característica importante a ser acompanhada no desenvolvimento do País é o seu grau de instrução. Infelizmente, apenas 91% da população com 10 anos ou mais é alfabetizada, ao passo que nossos vizinhos argentinos apresentam uma taxa de 97,6%. No entanto, mais do que apenas olhar o número macro da taxa de alfabetização, o importante é entender o seu comportamento dentro de algumas estratificações. Por exemplo, apenas 30,1% dos alfabetizados possuem 11 anos de estudo ou mais (antigo colegial completo ou cursando faculdade), sendo a representatividade feminina nesse estrato menor do que a masculina (28,0% contra 32,0%).

Analisando o aspecto da saúde, é curioso observar que, apesar de o PIB per capita do País ser três vezes maior do que o da Guiana, o percentual de acesso à rede sanitária é praticamente o mesmo, ou seja, 80%. No entanto, é importante ressaltar que os investimentos do governo em saneamento vêm contribuindo significativamente para a redução dos municípios sem acesso à rede de esgoto. Há dez anos, 6,96% dos domicílios não tinham banheiro ou sanitários; atualmente são 2,64% (cerca de 1,5 milhão de habitações). Embora a região Nordeste ainda seja a área menos privilegiada nesse item (7,8% dos domicílios não têm banheiro ou sanitário e o Piauí é o Estado em pior situação, com 19,9%), nos últimos dez anos a região conseguiu diminuir em 13 pontos percentuais o número de municípios sem acesso à rede sanitária. Não é preciso dizer a influência desse avanço na expectativa e na qualidade de vida da população, além do deslocamento de parte da renda em remédios para outros itens de consumo, como produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Os indicadores de renda não podem ficar de fora dessa fotografia. No geral, 5,1% dos domicílios ganham mais de cinco salários mínimos, enquanto 4,3% não apresentam rendimento algum. As regiões Norte e Nordeste apresentam um percentual menor no ganho de mais de cinco salários mínimos e um percentual maior nos domicílios sem renda, diferentemente das demais regiões, que apresentam um comportamento contrário a este. Pela primeira vez, a região Centro-Oeste tem um percentual dos domicílios com ganhos acima de cinco salários mínimos que supera o da região Sudeste (6,8% contra 6,7%). A maior parte dos domicílios (28,7%) ganha entre meio e um salário mínimo.

Talvez alguém se pergunte: “O que esses números dessa importante fonte de dados, o IBGE, podem nos oferecer?”. A resposta é simples: vantagem competitiva! Esses indicadores podem se transformar em informações e essas informações em ações de sucesso, mas quem faz a mágica acontecer é você. É você quem pode relacionar as informações de tendência de mercado com as de marketing da sua empresa. Somente você pode identificar se determinado crescimento populacional ou uma concentração de renda em determinada área geográfica pode ser interessante para o desenvolvimento da sua empresa. Será que os dados podem explicar as ações dos meus concorrentes? Todas essas e muitas outras perguntas podem ser respondidas analisando os dados disponíveis de fontes confiáveis, como as apresentadas no site do IBGE: www.ibge.gov.br.

Fotografia do País na primeira década do século 21

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