Em janeiro, foi divulgado o Relatório do World Economic Forum (WEF), que destacou os principais riscos que envolverão os negócios mundiais, no curto prazo.

O WEF é uma respeitada organização não governamental e internacional, que reúne diversos expoentes da sociedade com o intuito de elaborar um Relatório com base na leitura do mundo à nossa volta e em seus mais agravantes problemas. Anualmente, é divulgado um relatório com o mapa de risco. De acordo com os usuários do relatório, ao longo dos anos este vem apresentando expressiva assertividade em seu prognóstico.


Como o Relatório é feito? O mapa relaciona a probabilidade de ocorrência de um determinado risco versus a severidade do impacto econômico deste na sociedade. Quanto maior for a probabilidade do risco ocorrer, maior será a severidade do impacto e o custo do evento para a sociedade. A severidade é segmentada em faixas que vão de 2 a 10, de 10 a 50, de 50 a 250 bilhões de dólares, e de 250 bilhões a 1 trilhão de dólares, e maiores do que 1 trilhão de dólares. A probabilidade de ocorrência é classificada em faixas como: menor do que 1%, de 2 a 5%, de 5 a 10%, de 10 a 20% e acima de 20%.

Os riscos, por sua vez, são classificados em cinco diferentes categorias: Econômico, Geopolítico, Social, Tecnológico e Ambiental. Há critérios para a classificação de cada um dos riscos e para como dimensionar o custo dos seus impactos na sociedade, caso ocorram. Foram mapeados 36 diferentes riscos, entre os quais nove são de natureza ambiental. 

Neste ano, dentre os riscos relacionados na categoria Ambiental, encontra-se apontado um que me chamou a atenção: “Perda da Biodiversidade”. O estudo define este risco como a “degradação da biodiversidade resultante da devastação de várias áreas de reservas florestais, marítimas e de outros biomas, com danos e consequências irreversíveis ao meio ambiente”. Nada mais brasileiro do que isso. Estima-se que haja perda de 3,3 a 7,5% do PIB mundial de 2008, por causa da desertificação de florestas e áreas biologicamente ativas.

Este risco foi classificado com probabilidade de ocorrência entre 5 e 10% e severidade de impacto para a sociedade com perda econômica entre 10 e 50 bilhões de dólares. Apenas para dimensionar o tamanho deste barulho, outros quatro riscos foram classificados na mesma faixa de probabilidade de ocorrência e impacto econômico: Poluição Atmosférica, Terrorismo Internacional, Proliferação de Armas Nucleares e Grandes Movimentos de Imigração.

O Relatório aponta para outra característica que vem se tornando significativa ao longo dos anos e que agora se configura como uma evidência muito clara, que é o aumento do Risco Sistêmico. A definição do termo, de acordo com o Relatório, é que risco sistêmico se traduz numa potencial perda ou dano para um sistema inteiro em contraste com uma perda para uma única parte deste. Riscos sistêmicos chamam a atenção pela fraca relação que as unidades de um sistema apresentam entre si, mas que, em virtude de rápidas mudanças, ganham sinergia.

Com base nesse conceito, o risco da perda da biodiversidade encontra uma relação sistêmica muito forte com dois riscos importantes – Doenças Crônicas e Desaquecimento da Economia Chinesa (menor que 6%) – além de outros 15 diferentes riscos.

O Relatório avança numa discussão profunda e interessante. É muito útil para as áreas de marketing e estratégia das empresas, que lutam com a inglória tarefa de prever o futuro e mitigar riscos. 

No entanto, o importante é saber que o mercado cosmético tem se beneficiado dos apelos “natural” e “ecologicamente correto”, e de outros nomes que remetem à questão da biodiversidade. Mas este mercado tem exigido dos seus fornecedores que sustentem esses apelos? Não basta apenas o uso do produto natural, mas se deve saber como este é adquirido e como a cadeia relacionada à sua produção se sustenta. 

Fechar os olhos para isso pode ser o mesmo que criar uma arma contra si mesmo, sob pena do natural deixar de existir ou ser relacionado com uma empresa que ajuda a diversificação mas não respeita o meio ambiente.

Biodiversidade no mapa de risco global de 2010

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