Há quem diga que o motor que irá tirar o mundo da atual crise é o “público feminino”.

Uma das principais estratégias adotadas pelas empresas do segmento cosmético, em virtude do cenário econômico atual, tem sido a velha e acertada prática de investir no público feminino. Por um lado, nada de novo ocorre para o segmento. A novidade, por outro lado, fica por conta da sinergia da adoção simultânea da mesma prática por outros segmentos do mercado.

Não é para menos. De acordo com o IBGE, por vários fatores, as frentes de trabalho vinham sendo preferencialmente ocupadas pela mão-de-obra feminina, entre esses o número expressivo de mulheres com melhor formação escolar ingressando no mercado de trabalho. Com o encerramento de algumas vagas, sob a égide da contenção de despesas frente à atual situação, o alvo dos cortes de mão-de-obra vem sendo o público masculino, que representa, para a mesma função, salário em média maior que o feminino.

O conceito do homem-chefe de família, que tinha peso expressivo nas estratégias de dispensa de funcionários, também vem caindo, uma vez que aumentou o número de lares onde a mulher ocupa esta função. Com isso, a tendência da participação cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, que vinha se desenhando há anos, acabou ganhando força extra no atual contexto.

O reflexo disto pode ser observado nas propagandas de produtos e serviços direcionadas ao público feminino, que antes eram direcionadas tipicamente ao público masculino. Seguros de automóveis, previdências privadas, planos de saúde, ativos financeiros, pacotes de férias, partidos políticos e … cosméticos.

Uma observação do autor, sem o rigor científico ou estatístico: nas duas primeiras semanas de março deste ano, a Rede Globo, no denominado horário nobre (antes e até o final da novela das 8), veiculou, em média, 200 comerciais de segunda à sexta-feira, ou seja, 40 por dia. Excluindo aqueles referentes à programação da emissora, 55% eram destinados ao público feminino e 45% a ambos os sexos. Um, em cada três comerciais, exclusivos ao público feminino, referia-se a cosméticos.

Outro fator, que vem conferindo sinergia a esta estratégia, é a adoção global de comportamento que reflete um movimento além de nossas fronteiras. Deste modo, tanto empresas multinacionais como nacionais, com expressiva participação no mercado internacional, poderão se beneficiar dessa onda.

Em se falando de cosmético, um dos canais de distribuição, que deverá ganhar expressiva importância, é o de venda direta. Trata-se de um canal de venda consagrado em muitos países, por meio do qual se vende de quase tudo.

A diferença é que em países de economia forte, o segmento cosmético não representa tanto no faturamento do setor de venda direta quanto no Brasil. No país, 88% do faturamento deste setor é realizado com a venda de produtos cosméticos.

O desaquecimento da economia está empurrando a mão-de-obra para a economia informal.

O canal de venda direta de cosmético é um excelente absorvedor deste tipo de mão-de-obra, principalmente para as mulheres que têm forte afinidade com o segmento; além disso, independentemente da crise atual, elas já desenvolviam essa atividade, em paralelo, à atividade econômica principal, como fonte complementar de renda.

O segmento infantil tem atrás de si a mulher, mãe de família, economicamente ativa ou não, como principal força de consumo. Portanto, espera-se também uma movimentação significativa neste segmento que historicamente confere aos fabricantes margens interessantes.

Há quem diga que o motor que irá tirar o mundo da atual crise chama-se “público feminino”. Pegando carona na frase em uso no momento: “Sim! Elas podem!” e, porque não dizer, “devem”.

Sim! Elas podem!

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