Dentro do setor cosmético, o segmento denominado “Cuidado com os Cabelos” que compreende os produtos shampoo, condicionador, tratamento capilar, fixador/modelador, tintura (incluindo os descolorantes), e os produtos permanentes e alisantes representou 27,1% do faturamento ex-work em 2006, contra 25,4% em 2005 e 25,3% considerando a média do período compreendido entre 2001/2005.

A variação de quase 2 pontos percentuais entre 2006/ 2005, ou um salto de 6,7%, apresenta tendência explícita no foco da produção de produtos voltados para este segmento por parte das empresas.

Em termos de volume, o segmento representa 32,3% do produzido em 2006, contra 31,4% em 2005 e 29,3% na média do período 2001/2005, apresentando também aumento significativo na tendência de produção do parque fabril.

A estratégia é acertada, pois uma vez instalado um quadro de estabilidade econômica, com mais dinheiro em circulação (em 2006 o Índice de Preço dos Produtos de Higiene foi 0,08% contra o índice geral 2,55%) é natural esperar que produtos de altíssima penetração ganhem espaço na cesta do consumidor.

Some-se aos fatos acima a população de 184 milhões de habitantes (estimativa recenseada para 2007), composta em boa parte de pessoas de baixa renda, teremos aí o cenário positivo para este segmento de produtos, apesar da expectativa de forte alta de inflação para 2008.

Como foram distribuídos os cerca de R$ 4,7 bilhões de faturamento do Setor em 2006? A maior parte, 28,7%, ficou com a classe dos shampoos. Esta parte do segmento, desde 2002, vem perdendo espaço frente a outras classes do mesmo segmento para o consumo de produtos com maior valor agregado, como por exemplo, produtos para tratamento capilar que representavam 16,7% em 2002 contra 19,7% em 2006, e tintura que passou de 27,1% para 28,1%. Este valores trazem evidências para uma mudança nos hábitos de compra. Não que o consumo per capita da classe shampoo tenha diminuído, mas sim que o consumo dos demais produtos, tido como não essenciais, aumentou. A classe dos condicionadores permaneceu estável na faixa de 16,8% e produtos permantes/alisantes e fixadores/modeladores ganharam peso inexpressivo no período (4,9% e 1,7% respectivamente).

A classe shampoo é composta de produtos para o público adulto, que representa 94% e também para público infantil. Para o público adulto, os produtos classificados como anticaspa foram os que apresentaram maior taxa de crescimento entre 2006/2005 (85,1%) graças aos apelos menos agressivos nos rótulos, características que incomodavam os usuários deste tipo de produto e a incorporação de outros apelos de performance como umectante, e agentes condicionantes.

Outra classe de expressivataxa de crescimento no período foi dos produtos classificados como afros- étnicos (49,7%). É inegável a diferença na anatomia e fisiologia capilar entre os descendentes caucasianos e os afro-descendentes. Graças ao avanço da pesquisa técnica e dos olhares atentos para um mercado consumidor crescente, produtos específicos para este público vêm podendo atender melhor a este nicho, embora ainda longe de ser um mercado devidamente mapeado. Por outro lado, como previsto há anos, a queda tanto no faturamento como no volume dos produtos 2-em-1 vem se confirmando. Em 2006 esta classe representou 1,4% contra os 3,2% em 2002.

Se nenhuma medida técnica venha resolver a percepção por parte do consumidor de que estes produtos não são tão bons shampoos e nem excelentes condicionadores, a tendência será o desaparecimento deste tipo de produto que sobrevive hoje praticamente entre o público masculino usuário de academias.

As empresas participantes deste mercado continuam sendo as líderes do segmento cosmético, como a gigante internacional Unilever e sua linha Seda. Com um mercado tão vasto, há espaço para empresas nacionais como EB Cosméticos, com a sua vasta linha conhecida como Ox, e Niasi com a marca Biocolor. A forte tendência do uso de apelos fitocosméticos em produtos capilares vai se confirmando ao longo dos anos, apesar das poucas evidências técnicas de efetividades destes ativos.

O mercado de produtos capilares deve apresentar taxa anual de crescimento no faturamento ao consumidor final de 4,4% para o período de 2005/2010. O Brasil na qualidade de 3ª maior economia cosmética mundial também é uma excelente fonte de fornecimento de produtos finais. Houve crescimento de quase 10% nas exportações de 2007 em relação ao ano anterior e com o aquecimento da economia Argentina, a América do Sul continua sendo o principal porto dos nossos produtos.

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